Os últimos episódios da vida política do país demonstram claramente que as eleições do próximo ano irão muito além da chamada dualidade entre a “esquerda” e a “direita”.
É preciso entender que essas opções demarcam superficialmente o que, de fato, importa.
Estará em jogo o tipo de sociedade e o pacto social que desejamos.
Teremos que escolher, por meio das personagens que se colocarão no cenário político, aquelas que moldarão uma sociedade comprometida com o bem estar de todos, com o mútuo respeito e a valorização do ser humano como elemento transformador do país.
Já está mais do que esgarçada a configuração politica e social do país com a dicotomia existente. Aliás, essa divisão anacrônica somente nos fez regredir em valores éticos que devem nortear nossas escolhas.
O cenário atual nos mostra claramente a postura egocêntrica de muitos que detém poder. Atuam em causas corporativistas, por divergências ideológicas, sem considerar a responsabilidade econômica e social de suas ações.
A forma como o parlamento brasileiro se comporta é sofrível, pois sequer tem apreço pela transparência, como se observa no caso das emendas parlamentares.
A maioria dos parlamentares tem agido como se não tivesse limites, não apenas legais mas, sobretudo, éticos.
Os interesses nacionais são desvirtuados conforme agendas obscuras sob o ponto de vista do interesse público.
Afrontas, bravatas e desatinos tornaram-se comuns dentro do parlamento, sobretudo na Câmara dos Deputados, Casa cuja atuação faria corar homens como Ulisses Guimarães e outros ilustres do passado.
O despreparo para essa sublime atividade, que é a parlamentar, tomou de assalto a conduta de homens e mulheres que já não divisam bem o certo do errado, o justo do injusto e o pior, interesses republicanos de outros bem menores, em todos os sentidos.
E qual a razão disso? O nosso voto. A nossa falta de percepção de que o governo que temos nada mais é do que o fruto de nossas escolhas, e que o parlamento é o mais puro reflexo disso.
A nossa falta de consciência social , somada à ausência de responsabilidade social dos parlamentares, causam estragos nos fundamentos do Estado e da própria Democracia.
O desvirtuamento progressivo e constante da nossa política está diretamente ligado à negligência com a qual tratamos o nosso voto e o acompanhamento próximo das ações dos políticos.
Ranços recrudescidos, ódio enraizado, desfaçatez e sinismo têm sido a marca registrada de muitos, dentro e fora do parlamento brasileiro.
O exercício do poder deixou de ser o meio de transformação do país, para se tornar a razão e o objetivo maior de si mesmo.
E somente o povo, cada cidadão brasileiro, tem a solução em suas mãos. Não sejamos preguiçosos ou omissos. Tomemos, cada qual , nossa parcela de responsabilidade, e façamos este país civilizado de uma vez por todas.



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