
Metade do Brasil comemora a recepção da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais seis denunciados pela prática de crimes envolvendo golpe de estado e a quebradeira de 08/01. A outra se articula para emplacar versões e mais versões nas redes sociais, fazendo uso, também, dos pronunciamentos do ex-presidente, que partiu para a guerra de narrativas.
A batalha jurídica começa no STF – e não será fácil – enquanto nas ruas e redes sociais, a Direita Radical se arma com muito mais competência do que a Esquerda, numa tentativa de fazer com que eventual clamor popular mude alguma coisa no entendimento dos ministros do tribunal.
Além disso, esse movimento tenta mobilizar eleitores para cacifar qualquer indicado de Bolsonaro como candidato à presidência da República, numa franca ofensiva para dominar a Câmara dos Deputados e, principalmente, o Senado da República.
Se o bolsonarismo dominar o Senado, e o ex-presidente estiver condenado ou preso, é grande a chance de atuarem pela aprovação de um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, estabelecido por Bolsonaro e seus seguidores como “algoz”, por inúmeras alegações, fundadas ou não, todas referentes à condução das investigações, relatoria e julgamento do processo.
Caso consigam alijar o ministro, o próximo passo seria pedir a nulidade do processo, em decorrência de sua participação decisiva nos atos, o que, caso ocorra, permitirá a libertação de todos os presos.
Como se observa, o jogo existente não é nada simples. A movimentação de Bolsonaro não se restringe ao processo que começou a se desenrolar, mas tem objetivos muito mais avançados e amplos do que isso, mirando diretamente no futuro da mais alta corte do Judiciário brasileiro, além, é claro, do governo do país.
Cenas de selvageria política à vista.
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