Após a ação policial no Rio de Janeiro, intensificaram-se os debates sobre a Segurança Pública no país.
Diversos são os analistas e mais variadas ainda as opiniões sobre o tema.
A mídia tem cumprido o seu papel de informar e de expor posicionamentos, se tornando perceptível certa decepção, da parte dos jornalistas, já que praticamente nada de novo tem sido aventado ou, quando o é, padece de razoável exequibilidade.
É o caso, por exemplo, de se modificar a governança das polícias, que se encontram à mercê da política.
Ideias que tornariam as polícias similares ao Ministério Público e à Defensoria Pública, no que tange à autonomia na gestão, por exemplo, são boas, mas não tendem a prosperar.
A escolha dos comandos das polícias estaduais é feito, atualmente, por agentes políticos, que são os governadores dos estados e seus respectivos secretários da segurança pública.
Mudar essa regra, com a criação de um sistema interno de indicação de nomes pelas próprias instituições fortaleceria em muito a autonomia das polícias, algo que criaria grande temor no meio político, pois seria visto como perda de poder.
Hoje, com as regras vigentes, o poder político sobre as polícias é imenso. Não se acredita que, da noite para o dia, políticos abririam mão de indicar conhecidos para ocupar o comando das instituições policiais ou, até mesmo, de interferir em listas de promoção das forças.
Mesmo que haja um clamor da imprensa consciente para isso, a vontade para tanto cabe aos políticos, pois são eles que elaboram e votam as leis.
Seria necessário grande consciência e pressão popular para que isso ocorresse, o que está, infelizmente, longe de ocorrer, provavelmente por conta da crise de credibilidade que assombra as autoridades do país.
Tome-se como exemplo o caso das emendas parlamentares. Grande clamor foi gerado com os desvios constatados, com a falta de transparência no uso dos recursos, pela dificuldade em punir os culpados e de corrigir distorções mas, ainda assim, a situação perdura, em que pese a firme atuação do Poder Judiciário.
O problema maior, mãe de todos os outros, está na escolha dos políticos pela população. Seja pela qualidade ruim ou mesmo pela falta de atenção e interesse da própria sociedade, atualmente desnorteada e sem confiança na palavra da maioria dos políticos.
Falta-nos o voto consciente e com responsabilidade social.
Sem isso não há perspectiva de êxito na vida pública do país. A ideologia pura e simples deve ceder mais espaço ao pragmatismo e à objetividade nas escolhas de homens e mulheres para governar, em todas as instâncias.
Sem consciência e engajamento social maiores e a demonstração clara das forças de segurança de que são dignas de mais credibilidade, o cenário seguirá o mesmo, apenas variando em nuances.



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