Vários são os casos de destempero e violência policial registrados pelo mundo.
O último, extremamente aviltante, ocorreu na cidade de Memphis/Tennessee nos EUA, gerando a morte do jovem Tyre Nichols, de 29 anos, após verdadeira sessão de espancamento praticada por policiais. Registre-se que o jovem era negro e todos os policiais envolvidos também, não se tratando, portanto, de ódio racial.
O Brasil, desde o triste episódio da Favela Naval, em São Paulo, acordou para essa realidade graças à reação imediata do então governador Mário Covas, que condenou com veemência a ação, e iniciou um processo de modificação da mentalidade das forças policiais paulistas, mormente a Polícia Militar.
Na busca de uma solução para o problema, a PM paulista buscou no Japão a filosofia da Polícia Comunitária que, infelizmente, não teve o condão de aplacar devidamente a violência policial.
Agora, países desenvolvidos, até então considerados impolutos por muitos nessa questão, dão mostras de que o problema não tem fronteiras. Não se trata de uma mazela de países em desenvolvimento, mas de uma mentalidade que impera em todo o mundo.
Nesse contexto, qualquer que seja o país em que uma violência desmedida seja praticada pela polícia ganha dimensão transnacional, atingindo a imagem de todas as polícias.
A imagem das instituições é colocada em cheque, e sua credibilidade reduzida a níveis baixíssimos, a ponto de comunidades preferirem a “proteção” dos marginais à presença de forças policiais.
Não adianta chefes de corporações virem a público falar sobre o treinamento e instrução ministrados aos policiais, se as ações destes negam de forma indelével as palavras ditas.
Ninguém é tolo. Muitas corporações têm enraizada a cultura da violência, acetal ponto de não conseguirem diferenciar o cidadão do criminoso.
E isso acaba por afetar a imagem da instituição como um todo, gerando descrédito e medo da população.
As palavras dos gestores em segurança pública passam a revelar um pensamento de conveniência para o momento. Isto porque as ações de seus comandados gritam o que eles verdadeiramente pensam sobre como fazer segurança pública, sem encontrar, no mais das vezes, óbice interno a esse comportamento vil.
A imagem corporativa, então, é posta em cheque. Qualquer iniciativa para aproximar a polícia do cidadão torna-se mais difícil, e as ações de estado ou de governo têm o pior dos complicadores, que é a falta de credibilidade.
Não há entrega de viaturas, armamentos ou modernização que apague um mal atendimento ou o mal uso da força, pois é a mão do estado que está agindo erroneamente no contato com o cidadão, tomador final do serviço de segurança pública.
Que os gestores do setor pensem a respeito do problema quase insolúvel que têm nas mãos. Não adianta populismo, jogar para a plateia, pois os efeitos serão sempre danosos.
É preciso mudar a mentalidade das corporações, com melhor seleção e treinamento de pessoal, enfatizando o aspecto psicológico dos policiais, que sob esta ótica devem ser periodicamente analisados durante toda a carreira e punidos ou afastados das ruas para tratamento intensivo, se necessário for.
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